segunda-feira, outubro 29, 2007


Coral Polifônico Improvisado

"Uma idéia bacana, proposta por Pierre Lévy há mais de 10 anos, é a do Coral Polifônico Improvisado, ou seja, a inteligência coletiva seria como um maestro invisível, consensual, a orientar as diversas vozes durante os "debates públicos". Este é o tom."
Proposta de discussão de Nê Bardi, um amigo. A seguir, minha resposta.

Jazz

Não conheço a proposta do francês Levy, mas esse tipo de interatividade acontece constantemente na música instrumental - notadamente no Jazz - por razões que acredito serem menos enigmáticas que a propositura da Inteligência Coletiva - embora tanto inteligência quanto senso de coletividade sejam aplicados no processo.

Imagine a criação espontânea de um artista que faz suas pinturas na presença do público. Isso pode ser possível, claro. Que tal agora pintar enquanto a própria tela sobra a qual a figura é desenhada é manufaturada, e as tintas, fabricadas? Coisa análoga acontece no Jazz!

Podemos colher recompensas intelectuais ao ouvir uma música como essa. A coordenação dos eventos, as consciências rítmicas, harmônicas e melódicas se mesclam com a cortesia mútua dos músicos. Quanto mais atentos, mais nuanças são percebidas.

Bem, sinto dizer-lhes que isso não se vê facilmente hoje em dia.

Embora não seja adepto de "o rock está morto", vejo que, no mínimo, enquanto a música boa se debate (ambigüidade intencional) o músico estrebucha para sobreviver. Artistas liquidados em sua possibilidade de propor novas visões e experiências aos seus contemporâneos são, simultaneamente, crias e presas do neoliberalismo. As exigências do meio colocam o músico ante a eleição do livre arbítrio e o compromisso comercial e mercantil.

O que se chama produção artística é resultante de estudo de mercado e impacto público, sem atentar no exame ético ou estético das propostas.

Para engrossar o caldo da discussão e torná-la mais inclusiva, podemos falar também sobre o seguinte.

Música é mercadoria? São os milhares de consumidores que elegem uma obra de arte boa ou má? O mercado regula a vida artística nos dias atuais? O que é música boa?

Que tal?

Abdalan em Novembro de 2004

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