O que você está lendo?
“Polônio: O que está lendo, meu Príncipe?
Hamlet: Palavras, palavras, palavras.”
William Shakespeare (1564-1616): Hamlet (1601)
Muitos amigos sempre vêm a mim com a pergunta “O que está lendo?” (dispenso o tratamento “príncipe”). Sou do tipo que lê compulsivamente. Aprecio livros, levo-os ao banheiro. Devoro não apenas o pão fermentado com cobertura açucarada. Gosto até mesmo de livros que foram escritos para não gostar. Aqueles asmos da sinceridade e da verdade. Quero crer que não sou raça em extinção, figurinha difícil. Você não tem a impressão que o número de bem-aventurados que são atraídos a algum tipo de leitura está em expansão? Eu acredito. Só me preocupa que tipo de livros esses leitores encontra e qual sua atitude ao fazê-lo.
Todos nos lembramos com trauma dos livros que fomos obrigados a ler. Samuel Johnson disse certa vez que um homem deve ler na medida em que sua inclinação o conduza; o que se lê por tarefa far-lhe-á pouco bem. Retiremos, portanto, os livros (bem como as bulas, manuais e letras miúdas dos contratos) que lemos por obrigação. Flip through.
Agora, escolher um livro pode ser tarefa penosa se partimos da proposta “escolha um autor como se escolhe um amigo”. Que amigo recomendaria, levaria à cabeceira, ao banheiro? Flávio Moura, diretor de programação da FLIP 2008 oferece uma solução: “A FLIP é cada vez mais uma chancela fundamental que orienta o que vale e o que não vale a pena ler”. Talvez um livro escrito com muito labor e zelo, vindo com sinceridade da alma de um autor. Será? Aldous Huxley (1894-1963) já advertiu que mesmo um livro ruim tem essas características. Você escolheria um “clássico”? Achei que era idéia minha a definição de “clássico”: livros que gostamos sem termos lido; Mark Twain (1835-1910) já havia falado coisa parecida. Fiquei decepcionado.
Deleitou-me, sim, Pierre Bayard, psicanalista e professor de literatura da Universidade de Paris. Bayard que falou com todas as letras na FLIP: “A apreciação de um livro não requer a sua leitura”. Ele é o autor de Como Falar dos Livros que não Lemos. I flipped out. Adorei esse livro. Clássico. Segundo li, Marcelo Coelho, crítico cultural, ao lado de Bayard, foi ainda mais longe (itálico meu): “Recebo muitos livros por semana por conta do meu blog. E tenho que confessar que acabo adotando a quinta essência da distorção jornalística: leio um ou dois parágrafos e faço a análise”. Flip lipped. Veja que talvez venha aí o segundo volume: Como Analisar Livros que não Lemos, com nota explicativa “A análise de um livro não requer a sua leitura”. Sou desconhecedor do método e me resguardo sob a égide de Samuel Taylor Coleridge (1772-1834): “Até que entenda a ignorância de um escritor, julgue a si mesmo ignorante do seu conhecimento.”
Um erro, a meu ver, é encarar a leitura exclusivamente como fonte de entretenimento. Há, claro, os livros que foram escritos precisamente para esse fim, mas não se pode esperar sempre recreação ou passatempo quando se reconhece que muito da verdadeira literatura foi criada por grandes autores identificados como loucos, suicidas, heréticos, sonhadores, rebeldes e céticos, cujo objetivo ao escrever era nos impacientar e provocar nossa úlcera. Assim, tendo os grandes escritores a vocação da infelicidade, gostar ou não gostar do que se lê não pode ser o árbitro do que é um bom ou mau livro. ‘Gostar do que se lê’ é muito diferente de ‘gostar de ler’.
Ler não é apenas decifrar o código ou interpretar os signos. Ler requer inteligência. Captamos os dados e organizamos o que apreendemos. Exercitamos a capacidade de percepção e abstração e vivemos o que lemos. Há que se ter discernimento. Emocionamo-nos, evoluímos ao ler. Mas há aqueles que não lêem de jeito nenhum. O que a literatura pode fazer por estes? Um atalho? Li uma possível resposta na Newsweek: “O que a literatura pode e deve fazer é mudar as pessoas que ensinam as pessoas que não lêem” (A. S. Byatt, 5 de Junho de 1995). Mudar os mestres! Flip-flop.
Na FLIP era possível encontrar muita gente que gosta de ler - 35 mil espectadores. Além disso, com a presença de 40 autores convidados deveria ser fácil encontrar muitos que sofrem de cacoethes scribendi. Ao dar assim, de cara, com um autor sorridente, degustando seu flip, o que lhe perguntaria? Nem pense a antiga “quais são suas influências?” – ele já deve ter ouvido essa pergunta algumas dúzias de vezes nesse dia. Ele iria dar um flip-flop. Muito pior foi a proposta de certo jovem que encontrou James Joyce (1882-1941) em Zurique e flipped his lip : “posso beijar a mão daquele que escreveu Ulysses?” – veja que a tendência à veneração de ícones não é privilégio tupiniquim –. Sua resposta se seguiu igualmente reverenciosa: “Não. Ela (a mão que escreveu Ulysses) fez muitas outras coisas também”. Percebo que tais ameninades estranhamente se manifestam de vez em sempre ao encontramos escritores. Tendo sido antecipado por Twain na minha definição de “clássico”, arrisco mais uma tentativa de originalidade: ler é a arte de escolher uma má companhia. Não tenham os escritores e seus escritos em tão alta conta. Precisamos ler mais e com a desconfiança mais aguçada. Pela árvore se conhece os frutos. A quem porventura se oponha lembro que Lord Byron (1788-1824) foi acusado de incesto. Ele admirava Thomas Chatterton (1752-1770) que se matou aos 17. Samuel Taylor Coleridge (1772-1834) era viciado em drogas. Edgar Allan Poe (1809-1849) era alcoólatra. Christopher Marlowe (1564-1593) foi esfaqueado por quem ele desejava esfaquear.
Lanço ao meu leitor a pergunta: O que está lendo, meu Príncipe?
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quarta-feira, julho 09, 2008
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sábado, julho 05, 2008
Considerações de um Rabugento
Poblicado por mim no DigestivoCutural.Com
"...tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam, caem..."
Machado de Assis, no capítulo "O Senão Do Livro", de Memórias Póstumas de Brás Cubas
"Enquanto minha alma fazia estas reflexões, o outro ia indo por sua conta, e Deus sabe aonde ia!..."
Xavier de Maistre, em Viagem à roda do meu quarto
A destra tapa um bocejo enquanto a sinistra segura os comentários de Manuel Bandeira e Alfredo Bosi sobre Machado: "Nenhum escritor o sobrepuja na harmonia de todas as qualidades, que faz dele nosso clássico por excelência", "O ponto mais alto e mais equilibrado da prosa..." ― sempre achei os vendedores de enciclopédia geniais. Um perdigoto desequilibra e cai no caderno "Mais!" da Folha: 11 a 2 para Deus. Goleada! O embate não é novo. Machado já esteve no ringue com José de Alencar. Para não citar Tobias Barreto, esse outro pobre-diabo. Ouço Nessum Dorma e vou acordando com interrogações serpentinas: no jogo em que se disputa a posição de melhor escritor brasileiro, como se marca ponto? Quais as regras? Quem conta um conto aumenta um ponto? Quem pode ser juiz? O que se premia ao vencedor, rosas ou batatas?
O entusiasmo com que os jornais, revistas e leitores saúdam a recepção estrangeira a nossos autores não revela uma cultura literária em busca da legitimação ou apenas a tendência a genuflexão? "Woody Allen expressou sua admiração pelo autor de Dom Casmurro". Hip, hip hurra! Leu Epitaph for a Small Winner. Match point! Ora, o valor de Machado não caminha exatamente na contramão sendo ele mesmo antes leitor estrangeiro para então se tornar escritor nacional?
Machado mostra genialidade em alguns romances. Talvez três. Quatro? Certamente três. Até 1872 a obra de Machado de Assis era medíocre e de pobre conteúdo. Palavra do Senhor! A desconfiança e inquietação do autor estão reveladas no prefácio de Ressurreição (1872). Considera-se iniciante. Considera-lhe ensaio. Sua destra e sinistra seguram um coração que não sabe o que pensar da própria obra. Valendo-me de julgamento a posteriori dá para ser-lhe franco ― O romance é fraco, Machado; estilo e conteúdo desequilibrados. Faz bem em dar alguns passos para trás. Vade retro... Ei, Machado, espere! Pára! Não tanto! A Mão e a Luva (1874) e Helena (1876) saíram piores. Guiomar tem personalidade rasteira pincelada com traços trôpegos emoldurados em tela (ação) rota. Ponto sem nó. Há quem goste. Ai, ai. Iaiá. Os personagens desses dois livros são como personagens de novelas da tarde: vitoriosos embora sem trabalho, tendo futilidade como única ocupação. São imagem e semelhança das figuras típicas da época, como a luva é da mão.
Continue lendo aqui
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sábado, junho 21, 2008
Ser ou não ter?
Os ingleses têm Shakespeare, os franceses, Montaigne, os alemães, Nietzsche, os italianos, Leopardi. O que temos? Machado? O foco não é gostar ou não gostar. É ter! Como fazê-lo ícone máximo da literatura nacional? Será ele realmente nosso? - vide "Influências Inglesas em Machado de Assis" de Eugênio Gomes, livro de 1939. Influência estrangeira não coloca em xeque seu ESTILO como produto nacional para deleite dos ufanistas? Resta perguntar: suas idéias estão estritamente ligadas à língua portuguesa, ou seja, vale como critério sua HABILIDADE NA EXPLORAÇÃO DO VOCÁBULO? Nesse ponto está tão aquém de Guimarães Rosa que cessa toda tentativa de comparação.
Comentário que fiz do DigestivoCultural.Com
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sexta-feira, junho 20, 2008
Gallus Domesticus
Fiquei fora alguns dias. Olhei para dentro, gastei tempo escarafunchando lembranças antigas de quando eu era apenas um franganote.
Ocorreu-me Dona Tonha Feiticeira, aquela que morava, como eu, próximo à feirinha, perto da alfaiataria do meu avô. Na frente da sua casa estacionavam os galinhoteiros, os quais ela tentava expulsar amiúde com perdigotos e esguichos d’água de mangueira. Dias de algazarra e banho. Na grade verde e baixa do jardim da sua casa, meu segundo irmão, ainda frangote, foi derrubado de testa e ganhou seu primeiro grande galo.
Dona Tonha Feiticeira é da época que existiam galinhas. Hoje todos esses seres são chamados de frangos. Lá ia eu, seguindo-a casa adentro. Ela vestida como cigana: babados e cordões, pingentes e dentes dourados. Eu segurando uma galinha viva pelos pés conduzindo-a entre imagens, signos de Salomão e carrancas. A carijó sabia de turmas inteiras que se transformara em passarinhos ou tulipas. Desde pintinho cria que poderia se tornar crispy chicken, Korean fried chicken, fricassê. Caipira, veio para cidade exatamente para ser imolada e se transformar no cozido com batatas do dia. Voltava da casa da Dona Tonha Feiticeira com a cabeça debaixo da asa.
Foi aí que aprendi o ofício a que era solicitado ao menos uma vez por semana por minha mãe: um pé prendia duas asas no chão. O outro, os pés de galinha. Mão esquerda agarrava a cabeça com força. Arrancava penas do pescoço. Batia a faca e depois, com o fio, sangrava a danada esperando sua morte.
Fiquei introspectivo alguns dias. Olhei para fora e não perdi tempo. Aqui vou - entre o ovo e o vôo - tentando atravessar a rua para o lado ensolarado da calçada.
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terça-feira, junho 10, 2008
Metablogorréia
Três tarefas concluídas determinam uma vida plena, segundo reza o clichê: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Não estou ainda certo disso, mas escrever em um blog poderia substituir temporariamente uma ou duas dessas realizações. Há quem diga com dedo em riste: todas três! Em seus blogs plantam a semente, disseminam idéias e depositam seu sêmen.
Visito algumas árvores por aí. Não há tronco forte o suficiente para construir uma árvore. Folheei algumas páginas. Não há muito que impressione. Os filhos da maioria dos blogueiros são tão feios quanto eles. Antes que um dos meus três leitores me olhem enviesados, adianto: Não me excluo completamente.
Escrever é laço! Não raramente armo ciladas para mim mesmo e, provavelmente, caio nelas; nem sempre concluo se sou eu quem me olha assustado do alçapão. Não me reconheço. É fácil se embaraçar com bagatelas, cair em pieguice, enredar na superficialidade. Cada post que escrevo, que brota, que nasce, me acusa da sua, da minha, feiúra. Afinal, o que estamos fazendo aqui? Não seria mais cômodo esconder a ignorância atrás das cortinas misteriosas do silêncio?
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Postado por Abdalan às 1:26 PM 4 comentários
sexta-feira, junho 06, 2008
O Google é o oráculo da internet. Se houvesse uma sucursal do Google aqui em minha pequena cidade, eu iria todos os domingos à noite depositar minhas oferendas. É o Google que responde nossas rezas. É ao Google que fazemos nossas confissões. Quem nunca desejou saber o que se passa num confessionário? Que palavras são ditas pelos que se prostram no genuflexório e escancaram seus pecados ao sacerdote? Eles são proibidos de falar, mas o Google não tem esse compromisso de silêncio. Ele publica todo mês as palavras ditas ao seu pé do ouvido pelos internautas mundo afora.
Lembrando a ordem? Malandrinha, Afrodite, Maria da Penha e Mamãe. Esse é o clima intelectual, moral e cultural da nossa era. Não há decepção. Temos um lenitivo no quesito “intelectual”: Pitágoras veio antes do Power Ranger. Bê ao quadrado menos quatro a cê.
Fonte dos dados.
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Postado por Abdalan às 11:59 AM 6 comentários
quarta-feira, junho 04, 2008
A idéia é filha da criatividade com a inteligência. É concebida na mente, e o pensamento é seu nascedouro. Bem cedo, brinca no berço das fábulas e fantasias e passa a infância na imaginação. Mora no cérebro, mas se cria em Reflexão. Passa a adolescência em Delírio Cresce na abstração. A idéia vaga em Devaneio e antes que se perca em Conjecturas, volta à Memória. Vira noites em Invenção. Fixa-se de vez no ponto de vista. Matuta. Compreende conceitos. Estuda suposições e amadurece. Gradua-se na faculdade da perspicácia. Mais tarde, apaixona-se por Desvairo e esquece do Juízo. Pratica meditação como religião; assimila a doutrina com sagacidade. Cogita, maquina e envelhece - aniversário de idéia é lembrança e aposentadoria, recordação -. Adoece por fim no esquecimento e morre na ponta da língua.
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terça-feira, junho 03, 2008
XGVVDDDXDXXXDVVDXDDGDGDVVFGGFDDVDVA
DXDVVGDDGDDDVDVGDVGDDDAVDVFAVAVDAVD
A data é 2 de junho de 1918. Exatamente 90 anos atrás. Depois de perder 15 quilos pensando, ele finalmente conseguiu. Trata-se do código ADFGVX. A letra a, por exemplo, é definida por suas coordenadas horizontal e vertical (nessa ordem) no políbio 6x6 abaixo, DV. O primeiro passo de Fritz foi, portanto, ocultar a mensagem usando a tabela.
O passo dois foi escolher uma SENHA sem letras repetidas - usemos "FELIZ" - e espalhar o código encontrado em LINHAS
F
| E
| L
| I
| Z
|
d
| v
| f
| f
| a
|
g
| d
| v
| d
| a
|
d
| v
| a
| x
| f
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f
| d
| a
| d
| g
|
g
| v
| v
| d
| a
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d
| d
| g
| d
| d
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E
| F
| I
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| Z
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v
| d
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| f
| a
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d
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| v
| a
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v
| d
| x
| a
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d
| f
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| g
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v
| g
| d
| v
| a
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d
| d
| d
| g
| d
|
Finalmente as COLUNAS são espalhadas em uma única linha
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domingo, junho 01, 2008
Post Scriptum Visitante homem? Me deve um chopp!
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sexta-feira, maio 30, 2008
Se sabes que vai chover, levas guarda-chuva;
Se levas guarda-chuva, não te molhas;
Se não te molhas, não ficas resfriado;
Se não ficas resfriado, não permaneces em casa;
Se não permaneces em casa, sais para rua;
Se sais para rua, conheces gente;
Se conheces gente, entendes melhor as pessoas;
Se entendes melhor as pessoas, és uma pessoa melhor;
Se és uma pessoa melhor, melhoras a vida de outras pessoas;
Se melhoras a vida de outras pessoas, fazes um mundo melhor;
Se fazes um mundo melhor, não há guerras;
Se não há guerras, há paz;
Se há paz, vives tranqüilo;
Se vives tranqüilo, sois feliz;
Se sois feliz, podes fazer outros felizes;
E se fazes outros felizes, somos todos felizes...
...se levas guarda-chuva!
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quinta-feira, maio 29, 2008
É até o topo
Até logo
Árida
Um confronto sem-par – partida
É até um jogo
Até tola
Ácida
Sem tê-la por inteiro – partida
É até o todo
Até mais
Ávida
Sem completar um par – partida
É até longa
Até breve
A vida
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quarta-feira, maio 28, 2008
Idéia Fixa
Michelangelo (1475–1564), famoso por seus afrescos no teto da Capela Sistina no Vaticano, é talvez o maior artista da história humana.
Veja Davi, uma estátua em mármore de mais de 5 metros que levou 3 anos (1501–1504) para ser construída. Está na Accademia di Belle Arte, em Florença. Fugiu do óbvio não retratando a história mais conhecida do herói bíblico em seu confronto com Golias.
Outra obra fantástica do gênio é Moisés (1515). Segundo se conta, ao terminá-la, admirou tanto sua beleza que num momento de alucinação bateu na estátua e perguntou Perché non parli? (Por que não falas?).
São obras extraordinárias, mas tenho outra como minha preferida. O afresco representando A Sibila Líbica .
Toma um livro mas não o está lendo. Olha em outra direção. Para onde? Há um personagem ao seu lado. Um querubim. Para ele onde aponta? Há dois pares de meninos acima, nas colunas. Um de cada lado. O que examinam? Qual o ponto mais iluminado do quadro?
Como apontaram o médico e químico brasileiros (Gilson Barreto e Marcelo de Oliveira), o afresco revela um pensamento obstinado de Michelangelo ao pintar: o ombro!
Mesmo virando o quadro de cabeça para baixo, há um detalhe da veste da sibila que representa a anatomia do ombro.
Ao ver A Sibila Líbica me sinto aliviado por muitas vezes ter idéias fixas. Idéias que saltam, abrem os braços em X. Como Michelangelo pode ter pensado tanto em ombro ao pintar? Ombro, ombro, ombro. Obstinação. Todas as coisas remetem a uma. Pertinácia é arte? Ser pervicaz é genial? A birra é iluminadora?
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terça-feira, maio 27, 2008
Faça DE CABEÇA a seguinte conta fácil. Você tem 1000. Acrescenta 40. Acrescenta mais 1000. Acrescenta mais 30; novamente acrescenta 1000. Acrescenta 20. Acrescenta 1000 e depois mais 10.
Qual o total?
Quantos F tem no texto abaixo?
FINISHED FILES ARE THE RE-
IC STUDY COMBINED WITH
THE EXPERIENCE OF YEARS.
Pense rápido em uma ferramenta e uma cor.
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sábado, maio 24, 2008
Postado por Abdalan às 6:43 AM 1 comentários
sexta-feira, maio 23, 2008
Trânsito de São Carlos. A garota está indo de moto para o trabalho quando é acintosamente fechada por um Zé-mané de carro. Freada brusca, rubor, taquicardia, uma respiração funda e o descarrego: INFELIZ! Como é? Infeliz? Não havia nenhum outro insulto? Um vitupério mais ofensivo?
Não recomendaria nenhuma vulgaridade. Falar palavrão, na minha opinião, sempre é um tiro no pé. É vexatório. O vilipendiador pode sair mais ferido que o vilipendiado. Para o caso específico não caberia um discurso e nem mesmo frase longa. Ainda “begalafumenga”, “anencefálico”, “acatapléctico” não funcionam de dentro do capacete. Há que se dar apenas um tiro antes que um se afaste demais.
Um ultraje típico da língua escrita é altamente desaconselhável. Não dá para atacar com sicofanta, betráquio, tugue [Do hindu thag – indivíduo violento, sanguinário (seita cujos membros praticavam sacrifício humano)], onagro, graveolento, truão – já que a graça desses é fazer que o ofendido, além de receber a ofensa, só descubra do que se trata após consultar o dicionário. “Tartufo” o levaria até Molière. “Casmurro” a Machado. “Bucéfalo” a Alexandre Magno.
“Bicho-papão” ia parecer infantil. “Desminlingüido”, idem. “Bastardo” é para tradução de filme americano. Desparafusado, tantã, desmiolado, abilolado e maluco são obsoletos. “Barbeiro” é muito óbvio. “Tunoso” é pessoa que vive vadiando. Vem do francês, tune. Mas se o carro é “tunado” pode parecer elogio vindo do inglês.
Animais de carga é fonte de insultos, mas sua força se perdeu. Asno, burro, mula, jumento, jerico? Não! “Cavalo” e “acavalado” podem ser elogio. Abnóxios. “Besta” só funciona com adicionais geométricos: quadrada, redonda.
Comportamento sexual visto como censurável fornece toda espécie de obcenidades. Bronheiro, onanista é o homem que não consegue parceira sexual e se entrega à masturbação (vem da figura bíblica Onã). Não se aplicaria aqui. “Desmunhecado”, “brioqueiro”, “abonecado” poderiam dar processo se homossexual de fato for.
Gritar trombadinha no trânsito é perigoso. Pode ferir o brio de algum flanelinha ou malabarista que esteja por perto. Se estivesse clareza que o carroceiro está fora de forma, xibimba, adiposo, pantófago (Gr. Que come tudo), pançudo, ancudo ou pandorga seriam humilhantes. Se o contrário, desnalgado (que tem traseiro pegueno). Mas como ter certeza, se o amundiçado está dentro do carro?
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Postado por Abdalan às 6:34 AM 3 comentários
terça-feira, maio 20, 2008
Mudança
Por que meu esforço renitente...
Se somente essa Semente
Que plantada fez-se muda
Com silêncio eloqüente,
Num instante tudo muda?
Que ansiedade há que um côvado acrescente?
Tão-somente essa Semente
Que, nascida, se faz muda,
É esperança paciente
Que num instante tudo muda.
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Postado por Abdalan às 9:27 AM 1 comentários
segunda-feira, maio 19, 2008
Todo mundo conhece algum Easter Egg (ovo de páscoa). São mensagens, imagens ou programas ocultos dentro de alguma mídia. Há milhares deles. Alguns são clássicos e outros nem se sabe se foram parar ali intencional ou randomicamente.
Veja o exemplo no Excel 2000
[1] Abra uma planilha em branco e pressione F5
[2] Digite x2000:L2000 e Enter
[3] Digite a tecla Tab uma vez, de modo que vá a coluna M
[4] Mantenha as teclas Ctrl e Shift pressionadas e clique no ícone
Pronto. Aí está a lista de nomes das pessoas envolvidas no projeto Excel. Há outros ovos de páscoa no Excel, como simulador de vôo nas versões 95 e 97.
Word
[1] Abra um novo documento e digite =rand(200,99)
[2] Enter[3] Tente variações de (1,1) a (200,99) e veja o que acontece
Powerpoint
[1] Vá em Ajuda e escolha “Sobre o Microsoft PowerPoint”
[2] Mantenha as teclas Shift, Ctrl e Alt pressionadas
[3] Clique duas vezes sobre o logotipo na esquerda e veja as pessoas que trabalharam no projeto
Picasa
[1] Abra e digite Y enquanto mantém pressionadas Ctrl e Shift
Há coisas ocultas em filmes – Clube da Luta tem uma mensagem estranha no começo, Apocalypto tem uma imagem do Mel Gibson em apenas um frame. No filme dos Simpsons, quando Bart aparece com um sutiã na cabeça saindo do compartimento de bagagem do trem ele fala "sou o mascote de uma corporação maligna". O sutiã preto na cabeça o faz parecidíssimo com o Mickey Mouse, o mascote da Disney. Mas quero mostrar o Easter Egg tupiniquim encontrado por mim.
Gil
Na música Pessoa Nefasta (clique para ouvir) de Gilberto Gil – CD Raça Humana – depois de alguns scats, frases vocais sem sentido, quando chega no ponto 4:37, o que se ouve é “Não posso 'fumar um' sem 'dar um pau' em cocaína” ou estou enganado?
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sábado, maio 17, 2008
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sexta-feira, maio 16, 2008
Matemática
Fico incomodado com aqueles atendentes de caixa que fazem com a calculadora as contas mais simples. O gasto foi R$ 3,20. Pago com uma nota de cinco reais. Lá vão eles calcular o troco na maquininha. Se a calculadora paraguaia tem aqueles bips para cada dígito, meu coração acelera perigosamente.
Não sou lá muito bom em matemática, mas faço, por exemplo, uma multiplicação até de dois números entre 11 e 19 - de cabeça. Em apenas cinco minutos você também aprende.
Tome 13x18 como exemplo.
[1] Coloque mentalmente o número maior em cima;
[2] Pense num triângulo que cobre os dois números do nosso exemplo dessa maneira:
[3] Some esses números dentro do triângulo e adicione um zero ao resultado (ou seja, multiplique por 10);
[4] Multiplique o número de baixo do triângulo, 3, pelo que está acima dele, 8;
[5] O resultado final é a soma do números encontrados nos passos [3] e [4].Muito obrigado. Próximo!
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quinta-feira, maio 15, 2008
Lobato Mau
Bem que eu desconfiava. Fui tocar em Vitória da Conquista o Hino Nacional para abertura de uma mostra cultural de uma escola de primeiro grau dedicada à casta mais privilegiada da cidade – trompetistas sempre se metem nessas enrascadas. Fiz o trabalho e já estava de saída quando o mestre de cerimônia anunciou uma peça na qual se ia encenar Negrinha de Monteiro Lobato. Desisti imediatamente da saída precoce. Desejei saber a visão que aqueles adolescentes tinham do racismo.
Não estranhei que não havia negro para representar Negrinha – “magra e atrofiada”. Não me assustei com o tratamento dispensado a “pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados”. A história vai daquele jeito “Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos”. Os adolescentes atores aprenderam uma série apelidos com que a mimoseavam – Pestinha, diabo, coruja, barata descascada, bruxa, pata-choca, pinto gorado, mosca-morta, sujeira, bisca, trapo, cachorrinha, coisa-ruim, lixo. Mas a maior diversão mesmo era o alívio que “cocres bem fincados” gerava na senhora dona Inácia. Correção? Com ovo quente na boca –. Para encurtar a história.
(e se desejar leia na íntegra minha transcrição) http://abdalan.vilabol.uol.com.br/LobatoMau/Negrinha.pdf
Morreu “com maior beleza” a Negrinha, de frio e tristeza, sonhando com muitas bonecas louras, de olhos azuis com mãozinhas de louça. Sendo enterrada a sua “carnezinha de terceira” na vala comum, deixou a saudade de “como (ela) era boa para um cocre”.
Fiquei estarrecido, sim, com a conclusão dos atores mirins antes dos aplausos dos pais e professores orgulhosos: “Mesmo uma criança negra tem os mesmos desejos que todos têm – ser amada e poder brincar de boneca!”. Meu Deus, crianças, vocês juram que chegaram sozinhas a essa conclusão? Ah, sim! Claro que não. Foram ajudadas por Monteiro Lobato, esse racista asqueroso que teima em permanecer como o representante maior da literatura infantil brasileira.
O racismo do Lobato mau não está apenas na boca de Emíla, “alter ego” do autor, chamando a Tia Nastácia, a negra confinada na cozinha, de preta e beiçuda (Histórias de tia Nastácia. Ed. Brasiliense: São Paulo. 6a. ed. 1957 p.30, 132). Não está apenas na distância que se coloca Tio Barnabé – nos confins do sítio –, nem no fato de chamá-lo mono, macaco.
O livro parece premonitório. Por meio do "porviroscópio", um dos personagens enxerga uma eleição americana disputada entre um negro, uma mulher e um branco. O negro ganha. Qualquer semelhança com Hillary Clinton, Barack Obama e John Mc-Cain é mera coincidência. O fato ocorre em 2228!
O livro foi lançado no EUA. Fracassou. Lobato certa vez falou “Errei vindo cá (EUA) tão verde. Devia ter vindo no tempo em que eles linchavam os negros”. Aqui no Brasil, pelo visto, não houve fracasso do seu projeto de vulgarização das idéias racistas entre as crianças. Entre outras mil, és tu, Brasil, ó pátria amada!
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Postado por Abdalan às 10:08 AM 8 comentários














