sexta-feira, maio 16, 2008

Matemática

Fico incomodado com aqueles atendentes de caixa que fazem com a calculadora as contas mais simples. O gasto foi R$ 3,20. Pago com uma nota de cinco reais. Lá vão eles calcular o troco na maquininha. Se a calculadora paraguaia tem aqueles
bips para cada dígito, meu coração acelera perigosamente.

Não sou lá muito bom em matemática, mas faço, por exemplo, uma multiplicação até de dois números entre 11 e 19 - de cabeça. Em apenas cinco minutos você também aprende.

Tome 13x18 como exemplo.

[1] Coloque mentalmente o número maior em cima;

[2] Pense num triângulo que cobre os dois números do nosso exemplo dessa maneira:

[3] Some esses números dentro do triângulo e adicione um zero ao resultado (ou seja, multiplique por 10);

[4] Multiplique o número de baixo do triângulo, 3, pelo que está acima dele, 8;

[5] O resultado final é a soma do números encontrados nos passos [3] e [4].

Muito obrigado. Próximo!

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quinta-feira, maio 15, 2008

Lobato Mau

Bem que eu desconfiava. Fui tocar em Vitória da Conquista o Hino Nacional para abertura de uma mostra cultural de uma escola de primeiro grau dedicada à casta mais privilegiada da cidade – trompetistas sempre se metem nessas enrascadas. Fiz o trabalho e já estava de saída quando o mestre de cerimônia anunciou uma peça na qual se ia encenar Negrinha de Monteiro Lobato. Desisti imediatamente da saída precoce. Desejei saber a visão que aqueles adolescentes tinham do racismo.

Não estranhei que não havia negro para representar Negrinha – “magra e atrofiada”. Não me assustei com o tratamento dispensado a “pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados”. A história vai daquele jeito “Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos”. Os adolescentes atores aprenderam uma série apelidos com que a mimoseavam – Pestinha, diabo, coruja, barata descascada, bruxa, pata-choca, pinto gorado, mosca-morta, sujeira, bisca, trapo, cachorrinha, coisa-ruim, lixo. Mas a maior diversão mesmo era o alívio que “cocres bem fincados” gerava na senhora dona Inácia. Correção? Com ovo quente na boca –. Para encurtar a história.

(e se desejar leia na íntegra minha transcrição) http://abdalan.vilabol.uol.com.br/LobatoMau/Negrinha.pdf


Morreu “com maior beleza” a Negrinha, de frio e tristeza, sonhando com muitas bonecas louras, de olhos azuis com mãozinhas de louça. Sendo enterrada a sua “carnezinha de terceira” na vala comum, deixou a saudade de “como (ela) era boa para um cocre”.


Fiquei estarrecido, sim, com a conclusão dos atores mirins antes dos aplausos dos pais e professores orgulhosos: “Mesmo uma criança negra tem os mesmos desejos que todos têm – ser amada e poder brincar de boneca!”. Meu Deus, crianças, vocês juram que chegaram sozinhas a essa conclusão? Ah, sim! Claro que não. Foram ajudadas por Monteiro Lobato, esse racista asqueroso que teima em permanecer como o representante maior da literatura infantil brasileira.


O racismo do Lobato mau não está apenas na boca de Emíla, “alter ego” do autor, chamando a Tia Nastácia, a negra confinada na cozinha, de preta e beiçuda (Histórias de tia Nastácia. Ed. Brasiliense: São Paulo.
6a. ed. 1957 p.30, 132). Não está apenas na distância que se coloca Tio Barnabé – nos confins do sítio –, nem no fato de chamá-lo mono, macaco.

Em seu livro de 1926, O Choque das Raças publicado em uma reedição em 1946 sob o título de O Presidente Negro, ele revela mais claramente seu clube. O livro é dedicado a Arthur Neiva, médico sanitarista que defendia a eugenia ­– teoria racista criada pelo médico e matemático inglês que defendia a pureza das raças, Francis Galton. Para o dirigente da Sociedade Eugênica de São Paulo, o médico carioca Renato Kehl, Lobato escreveu "tu és o pai da eugenia no Brasil e a ti devia eu dedicar meu Choque [Choque das Raças], grito de guerra pró-eugenia. Vejo que errei não te pondo lá no frontispício, mas perdoai a este estropiado amigo. Precisamos lançar, vulgarizar estas idéias. A humanidade precisa de uma coisa só: poda. É como a vinha". No livro, por boca de um dos personagens: "Estragou as duas raças, fundindo-as. O negro perdeu as suas admiráveis qualidades físicas de selvagem e o branco sofreu a inevitável piora de caráter, conseqüente a todos os cruzamentos entre raças díspares".

O livro parece premonitório. Por meio do "porviroscópio", um dos personagens enxerga uma eleição americana disputada entre um negro, uma mulher e um branco. O negro ganha. Qualquer semelhança com Hillary Clinton, Barack Obama e John Mc-Cain é mera coincidência. O fato ocorre em 2228!


O livro foi lançado no EUA. Fracassou. Lobato certa vez falou “Errei vindo cá (EUA) tão verde. Devia ter vindo no tempo em que eles linchavam os negros”. Aqui no Brasil, pelo visto, não houve fracasso do seu projeto de vulgarização das idéias racistas entre as crianças.
Entre outras mil, és tu, Brasil, ó pátria amada!
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quarta-feira, maio 14, 2008

Não Verás País Nenhum



Li a coluna de Clóvis Rossi na Folha de São Paulo ontem (13/05/2008). Trata de uma hipótese que, segundo ele, “passa pela cabeça faz tempo”. Os engarrafamentos em São Paulo vão chegar a um ponto que, uma vez dentro deles, não se sai nunca mais. A arquiteta Regina Maria Prosperi Meyer na Revista da Folha de domingo, chama o tal congestionamento final de ‘tudo-parado-para-sempre’.

Não foi surpresa para mim. Tenho lido os oráculos paulistas. Quem mais precisamente falou sobre isso foi Ignácio de Loyola Brandão. Rossi chamou o evento funesto de The Big One, uma alusão ao grande terremoto que os americanos aguardam devido a falha geológica na Califórnia. Loyola não precisou de empréstimos. Ele o chamou de O Notável Congestionamento. Está tudo lá no seu livro publicado na década de 80, Não Verás País Nenhum. Por mim canonizaria Loyola. Ele é o nosso Nostradamus.

Nos lembraremos das ruas coalhadas de carros buzinando e acelerando. São mais de 3,5 milhões hoje em São Paulo. A gasolina, o álcool, o diesel acabam e os donos ficam ali parados por dias com os rostos patéticos e expressões perplexas. Os mais céticos não acreditarão ao ver o noticiário e vão sair de casa mesmo assim. Não vai dar para tirar os carros. Fecham as ruas.
Gente pedindo para usar o banheiro da casa em frente ao ponto onde seu carro parou. Muitos ficam chorando sobre o capô, como que sobre o caixão de um parente. Os vendedores alvoroçados vendendo balas, chicletes, Valium e Rivotril. Muitos não arredam o pé por dias! Suponho que isso se dê entre a Segunda e a Quarta. Vai fazer um calor medonho – pesquisas mostram que da década de 40 para cá aumentou 2 graus Celsius em São Paulo. O calor que o número de carros emite é 1/10 do calor que se recebe do sol – vai chover no final das tarde desses três dias. Mormaço neles.

Visitaremos São Paulo para ver, serpeando pelas ruas fantasmagóricas, aquela Anaconda-de-carros defunta. Será o novo museu jurássico. Já dá para sentir o cheiro acre de metal enferrujado. Sem-teto hospedado em Kombi e ônibus. Piqueniques entre Corcéis e Eco Sports.

O recorde hoje em São Paulo é 266 quilômetros. Na minha décima primeira edição de Não Verás País Nenhum (1985), na página 118, ele fala em congestionamento de 200 quilômetros. Em uma outra que fica perto da cabeceira da minha cama, vigésima quarta edição (2001), na página 125 lemos “Tem 500 quilômetros de carros”. Que é isso? O congestionamento está aumentando também no livro!

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terça-feira, maio 13, 2008

Do Cesto (#2)


Projetos que foram parar no cesto de lixo por razões óbvias.
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segunda-feira, maio 12, 2008



A quem interessar possa:

Pronto. Está decidido. Não uso mais o coração. Digo, não o uso mais para tarefas diversas daquela a que foi designado originalmente: 100.000 batidas diárias ininterruptas. Não basta? Estabelecer o músculo oco também como sede das emoções é exagero. Eu deixaria o trabalho para qualquer outro órgão.


Uma opção é o fígado. Não estou certo se é a melhor troca. Essa víscera já recebe visitas de Raiva e Tristeza regularmente. Já experimentaram ódio figadal? Melancolia é outra visitante do fígado. Melancolia é a junção das palavras gregas melanós, negro, (lembra melanina, certo?) e kholé, bile. Cólera (ira, raiva, fúria) também tem sua raiz no grego kholé, bile, através do latim cholera. Dadas outras tantas funções que o fígado acumula, podemos ser brandos com esse órgão. Quase disse que deveríamos ser misericordiosos, mas lá no meio dessa palavra tem o cordi, uma alusão ao coração. Vício (vis, víceras).
Concordamos... ops! Anuímos à idéia de deixar o fígado de fora. Que outro candidato temos? Os intestinos! Basta recordar... Droga, novamente! Recordar tem esse cor aí no meio, dando a tarefa das lembranças ao coração. Sem acordo, concórdia ou discórdia. Não quero mais nada ‘de cor’. O que quero dizer é que é possível nos lembrar de sentimentos ligados aos intestinos. O Apóstolo Paulo mencionou entranháveis afetos (Fp. 2:1-2). Isso mesmo. Amor vindo diretamente das tripas, dos intestinos, das entranhas! Há traduções que colocam coração onde na verdade é intestino. Não estou de acordo. Ei! Acordo. Essa palavra tem um cor no meio significando coração. Parei.
Na versão King James, sobre Filemom: “the bowels of the saints are refreshed by thee” (v. 7). Bowels são as tripas. Lembre-se que estar com vontade de fazer o ‘número 2’ em inglês é ‘one has a BM’, ‘bowel movement’. Que tal um 'eu te amo de todos os meus intestinos'? Há que se ter coragem? Não, pois coragem tem o cor se referindo ao coração. Basta ter tripas.

Cordialmente, 

Abdalan
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sexta-feira, maio 09, 2008




Mistifório
Gosto de palavras estranhas. Acho que vem da minha infância quando lia bula de remédio antes de ingeri-los. Como as letras são miúdas e as palavras longas, isso somado ao agravante de as ler sempre em estado febril, deverei ter cozido alguns neurônios. Mas esse prazer somava duas paixões: leitura e hipocondria.

Quantas vezes eu deixei a gaveta na maior confusão? Meu desejo era ouvir de alguém um ‘que mixórdia!’. Nunca tive essa desejada palavra. Vinha um simples ‘que bagunça’. Ficaria contente com 'balbúrdia', que também termina com rdia. O comum ‘arrume essa baderna’ sempre foi mais doloroso que croque no cocuruto. Misericórdia!
Minha presença nas aulas nos curso de física na UFSCar sempre foi aquela choldraboldra toda. Discordava, apontava as trapalhadas dos professores, incitava a vozearia, me envolvia em algazarras, mas nunca me ofereceram a indulgência de um ‘vamos parar com o mistifório?’ ou ‘que barafunda é essa?’.
Para escrever aqui me envolvo em um brainstorm doloroso. Desejo evitar a coerência, assunto recorrente que faça o blog merecer um rótulo. Não é fácil ser caótico. Misturo as idéias, faço uma baderna na minha mente e digito sem pensar ou revisar. Não quero apenas uma miscelânea de pensamentos, mas uma maçarocada mais indigesta. Seria a glória ouvir um ‘apreciei a mistela!’. Não vale mais, já falei. De alguém que considerasse os textos uma salada, queria ouvir ‘meu Deus, que salsada!’. Quem sabe um ‘que salgalhada é essa?’? Muito melhor, não? Agora, se um dos meus três leitores quer me ofender profundamente, apenas diga ‘amei esse blog’.
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quinta-feira, maio 08, 2008

Coca Cola

Coca Cola? Comecei cedo. A Coca Cola também começou cedo. A primeira foi vendida em 8 de Maio de 1886 - 122 anos hoje - numa farmácia em Atlanta, Georgia.

Se lê no cartaz
:

"Quando é cedo demais? Nunca. Testes laboratoriais nos últimos anos provaram que bebês que começaram tomar coca em seu tenro período de formação terão maiores chances de lograr aceitação e adaptação nos estranhos períodos de pré-adolescência e alolescência. Portanto faça a você mesmo um favor. Faça a seus filhos um favor. Inicie-os agora em um estrito regime de sodas e outra bebidas açucaradas e gaseificadas para um futuro de felicidade garantida."
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quarta-feira, maio 07, 2008

Miles Como Trompetista

Não parece novidade considerar, exceto para quem não os ouviu, que Miles Davis (1926-1991) NÃO teve a estonteante proficiência instrumental de trompetistas como Dizzy, Clifford ou Maynard.
Em relação a esses citados, por exemplo:

[1] Ele não toca tão rápido, [2] Ele não tem a mesma extensão e [3] Ele não toca tão claro.

Além disso, muitas vezes ele "escroca" as notas ou erra o alvo da nota desejada; Não é raro ouvir ele se aventurar em passagens que são mais rápidas que suas habilidades permitiam executar.

Ouça novamente Miles in Europe, Miles in Berlin, Miles in Tokyo e Four and More

Isso não ofusca, evidentemente, os pontos positivos de Miles como trompetista

[1] Um solista melódico.

[2] Produz efeito máximo nas suas escolhas rítmicas e na dramática construção de figuras melódicas. Excelente dosagem de silêncio & som.

[3] Mestre do comedimento na construção de linhas (muitas vezes dá a impressão que ele está editando seus solos enquanto os executa).

[4] Clichê é coisa rara nos solos de Miles e sutileza é marca registrada.

Não é sem razão que ele influenciou trompetistas como Clifford Brown, Chet Baker, Shorty Rogers, Jack Sheldon, Nat Adderley, Charles Moore, Johnny Coles, Eddie Henderson, Stu Williamson, Ted Curson, Luis Gasca, Blue Mitchel, Lester Bowie, Tom Harrell, Randy Brecker, John McNeil, Terumasa Hino, Kenny Wheeler, Wynton Marsalis, Terence Blanchard e Herb Pomeroy.

Sendo eu um trompetista, não me atenho ao Miles bandleader, compositor, criador dos maiores movimentos jazzísticos ou ao fato de ser o músico mais sortudo do universo, tocando com TODOS os grandes músicos de Jazz de sua época. Mas, seria ousado demais tocar na música no papa do Jazz sem lavar as mãos?

Miles Como Músico Comercial

Como sabemos, ao lado da busca pela excelência musical por parte de Miles, estava sua voraz perseguição pelo sucesso comercial - e muitas vezes essa sobrepujou aquela.

O Be-Bop teve seu auge de popularidade na década de 40, época em que Miles bebia nas fontes de Bird e Dizzy. Muitos negros na década de 50, entretanto, começaram ceder à indulgência de uma música mais simples, o Rhythm & Blues, deixando ao Be-Bop uma legião de brancos, muitos dos tais sem compromisso de lealdade ao Jazz para serem considerados "nicho de mercado". Miles quase acabou a carreira nessa época.

Terá sido essa a razão que o levou a inovar, juntamente com Gil Evans, inventando o Cool com Kind of Blue - (1959), um fuzuê entre os brancos?

Como alternativa ao Cool, que ficou mais branco que nunca com o West Coast Jazz de Chet Baker e Dave Brubeck, os negros se simpatizam mais com o East Coast jazz, o Hard-Bop - e lá estava Miles em ambos os lados da bipolaridade.

A década de 60 trouxe mais mudanças. Indo além da New Thing, um movimento encabeçado por Coleman, Coltrane e Taylor explorava politonalidade e atonalidade, tempos estranhos e abolição da métrica. Miles primeiro criticou e depois trilhou um caminho próximo com Carter, Hancock, Shorter e Williams.

Aí o Rock começa a ofuscar o Jazz e Miles pende para onde as coisas estão acontecendo (Hendrix e Sly Stone) e lança um álbum Jazz Rock-Fusion, Bitches Brew - 1969.

Quando na década de 70 houve a explosão do Heavy Metal, tio Miles ficou de fora. Estava ocupado com um projeto contraproducente: colocar ritmos de discoteca e funk nos seus discos. Quem já ouviu Dark Magus, Agharta e Pangaea?

Nos anos 80 ele aparece novamente. Toca para massas, tem ares de estrela consciente. Toca para jovens negros, misturando R&B com Hip-Hop. Tutu e Amandla, 1986 e 1989. Ali está o gênio Miles Davis desperdiçando seus dons melódicos com frases curtas cobertas pelo açúcar de confeiteiro de estúdio. Encerra a década com o Doo-Bop. Lançado em 1991, em dueto com o rapper Easy Mo Bee, o Doo Bop é um híbrido de Jazz e Hip Hop, no sendo bem um, nem outro.

Não pretendo desmistificar e personificação de um mito. Gênio? sim! mas com uma carreira tortuosa. De qualquer sorte, "Não se pode culpar um homem por no caminhar em linha reta num campo minado".

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segunda-feira, maio 05, 2008


4x5=12

No capítulo dois de Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, livro mais famoso de Lewis Carroll. Narra o sonho de uma menina) há um texto curioso. Alice começa umas contas muito estranhas!

"Let me see: four times five is twelve, and four times six is thirteen, and four times seven is -- oh dear! I shall never get to twenty at that rate!"

Com meus perdões pela tradução livre:

"Vejamos: Quatro vezes cinco é doze; quatro vezes seis, treze. Quatro vezes sete... que coisa! Nunca chegarei a vinte desse jeito!"

Qualquer um pode apontar o erro de Alice, certo? Somos mesmo assim - julgamos rápido. Quase nunca damos chance ao nosso interlocutor. Se o que ouvimos "não é mesmo o velho", descartamos. Formamos cedo nossos paradigmas e é difícil nos demover das idéias estabelecidas há muito. Em geral somos misericordiosos conosco e implacáveis com os outros. Mas será que Alice não poderá ter razão?

E se Alice está usando uma base não decimal, nosso sistema matemático comum? Computadores, por exemplo usam a base binária (0 ou 1). Não se preocupe se não sabe de que se trata - Há 10 tipos de pessoas no mundo, a que entende a base binária e a que não entende.

Na verdade na base 18, 4x5=12. 4x6=13 se usarmos a base 21.

Veja o padrão:


4x5=12 (base 18)
4x6=13 (base 21)
4x7=14 (base 24)
4x8=15 (base 27)
4x9=16 (base 30)
4x10=17 (base 33)
4x11=18 (base 36)
4x12=19 (base 39)

Diga você: Quanto é 4x13 na base 41? Não se precipite. Quem respondeu 20, errou! Veja que Alice falou que nunca chegaria a vinte com essa razão. E é verdade!

Ouvir e pensar um pouco mais antes de julgar quem quer que seja. Maravilha!
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sábado, maio 03, 2008




Cidade/City/Cité

Na nossa urbe, um emaranhado de elementos tocam nossos sentidos. Eles compõem a paisagem urbana nos unindo onde quer que estejamos numa experiência semelhante. Quais são esses elementos? Em uma palavra:


atro cadu capa causti dupli elasti feli fero fuga histori loqua lubri mendi multipli organi periodi plasti publi rapa recipro rusti saga simpli tena velo vera viva uni voracidade


cidade... city... cité...

Poesia de Augusto de Campos (1963), composta de uma palavra, escrita simultaneamente em português, inglês e francês, iniciada com a 'atro' e termidada por 'cidade'... 'city'... 'cité'.
Ouça.
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quarta-feira, abril 30, 2008



Música e Comida

Há músicas apropriadas para qualquer situação.
Há músicas para comer? É certo que tenho fome quando ouço algumas. Mas uma sensação muito mais inusitada é fome da própria música. Tenho que confessar que isso também me ocorre!

Clique na imagem para assistir um 'clip comestível'!

Música 'Entre Amigos' Composição de Jabá.
Participo tocando trompete.
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terça-feira, abril 29, 2008


Barba? Terças e Sextas.
Não Amole!


Barbear. Comecei cedo e eu mesmo fazia o trabalho. Escolhi Gillette. Uma navalha mais segura! Nunca precisei afiar. Pedras de amolar? Nunca!
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segunda-feira, abril 28, 2008


Por um Fio


Ao giro da esfera e sua velocidade!
(Estonteantes são os encontros.
Efêmeros, os desencontros)
Mais uma volta!
No fio da navalha de Ockhan,
Se perde o fio e o novelo;
E gira!
Acha o caminho antes de perdê-lo.
Se parte!
O que fica e o que vai são inteiros.
E mais um giro antes do grito -
Viva!
Vivo!
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Do Cesto (#1)


Projetos que foram parar no cesto de lixo por razões óbvias.
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sexta-feira, abril 25, 2008

Terremoto


Terremoto em São Paulo. Eu sobrevivi!
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quarta-feira, abril 23, 2008


Clichês


Não gosto de clichês. Mas cada um, cada um. Não critico. Vivo e deixo viver. Confesso que já usei. Vivendo e aprendendo!
C'est la vie! Temos que concordar que há uma verdade em cada clichê. Quando os encontro, o que posso fazer é sorrir e rir é o melhor remédio! Carpe diem!
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terça-feira, abril 22, 2008

É Laço!

Até onde me lembro, nunca dei o laço do tênis com o velho método 'orelhinhas de coelho'. Há que se ter muita imaginação? Segura-se os cadarços como que fazendo duas orelhas. Para isso usa-se a habilidade que, em matéria evolução, nos mantém anos-luz à frente de outros animais (os quais não usam sapatos) - o 'formato pinça' que os polegares opositores podem proporcionar.

O que se segue é cruel! As orelhas se cruzam e tocam em suas metades. A orelha de trás recurva-se e projeta-se para frente sobre a outra. Daí, dobra e se mete pelo vão que a posição gerou. Finalmente, a pinça da mão direita a puxa para fora no sentido contrário e a pune com a puxadela final. Funesto!


Sempre me vali do que achava mais lógico e adulto: a mão direita agarra o que prefiro chamar de 'o chifre do unicórnio', cujo sentido mitológico acredito ser mais rico que o lebre do método anterior. A outra parte do cadarço, desdobrada, laça o corno seguindo sua espiral. A seguir, cria-se a rédea desse cavalo fantástico. Esse método supera o anterior pela atração que esses seres mitológicos têm pelas virgens e vice-versa (Vide a pintura de 'Virgin and Unicorn' de Palazzo Farnese).

Ao descobrir que o objetivo da aproximação da virgem ao pobre cavalo era entregá-lo aos caçadores, desisti do método. Veja o texto atribuído a Leonardo da Vinci.

"O unicórnio, através da sua intemperança e incapacidade de se dominar, e devido ao deleite que as donzelas lhe proporcionam, esquece a sua ferocidade e selvageria. Ele põe de parte a desconfiança, aproxima-se da donzela sentada e adormece no seu regaço. Assim os caçadores conseguem caça-lo."

Funesto!

Estou muito mais feliz com a minha mais nova habilidade. Veja meu método na figura abaixo. Estou ocupando muito menos tempo com as divagações.


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segunda-feira, abril 21, 2008


Piadas

Por que será que as melhores piadas, as universais, simplesmente sucumbem nas bocas de certas pessoas? Não sei ao certo a razão.

Mas há uma regra. Se alguém deseja estragar a piada do início, comece com a frase:
- Vocês vão morrer de rir com essa piada!

Não, não! Mil vezes não! Quando ouço essa frase e suas variações já começo a pensar - Devo encontrar meus sentimentos mais altruístas e compassivos
no íntimo, para corresponder às expectativas. Devo morrer de rir -. Quanto mais penso assim, mais deprimido fico e não posso oferecer mais que a esmola de um sorriso amarelo.

Talvez o ritmo tenha papel decisivo na destruição de uma piada. Meu Deus, quanta piada já foi para o ralo por uma sincopação de mau gosto, por o final dito na hora errada ou pelo enredo ser tão lento que não sobra paciência para o desfecho. Essa última situação é agravada, quando o final fica evidente no começo. Piada assim é tortura!

Escuta, ainda tem gente que acha graça em piadas machistas, étnicas e religiosas? Por favor, me poupem!

E quando o contador da piada começa a gargalhar desde o início? A aflição se multiplica, a ansiedade se instala. Começamos a rir da gargalhada dele, por cortesia, até que se recomponha para pronunciar palavras mais inteligíveis. Nesse ponto já está na hora de ir embora!

Não sei se essa constatação veio porque estou ficando velho, mas parecem haver muito poucas piadas no mundo. Parece que estou ouvindo as mais novas pela terceira vez. Alguém tem uma piada realmente nova?
Piadas, talvez essa seja uma instituição que não evoluiu. Talvez acordei um pouco deprimido!
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segunda-feira, abril 07, 2008
















Rapport

Ouço cada vez mais essa palavra. Rapport. Estabelecer rapport. Estar em rapport. Praticar rapport.

Bom, estamos claros que os (bons) vendedores, nossos amigos mais simpáticos e as pessoas que consideramos carismáticas exercitam o tal
rapport. Afinal, de que se trata?

Rapport
é um tipo de relação marcada pela harmonia e afeição. Quando estamos em rapport com determinada pessoa, seremos tratados por ela como alguém que tem sua confiança e simpatia.

O estranho é que há certas técnicas simples que, quando corretamente aplicadas, segundo contam os estudiosos, criam a sensação de
rapport em uma entrevista ou qualquer encontro. É possível que a pessoa com quem conversa imagine ter encontrado a alma gêmea. Será? Eis algumas das técnicas:

1] Estabeleça para si o mesmo ritmo do seu interlocutor. Entonação, velocidade da fala. Busque imitá-lo;
2] Busque espelhar seus gestos, expressão facial, maneira como se senta, imitando-os discretamente; torne-se um com o seu par;

3] Busque acuidade sensorial para entrar nas sensações que a pessoa com quem está conversando se encontra.


Estarão as pessoas que mais apreciamos praticando secretamente técnicas aprendidas em livros do tipo Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas - Dale Carnegie (Editora Nacional)
, ou serão eles naturalmente irresistíveis?

Ah, bobagem!

De qualquer sorte, não apreciamos ninguém que fala conosco sem nos olhar nos olhos ou se desvia do assunto que propomos, certo?
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quinta-feira, abril 03, 2008

Conselhos

Ouvi meu pai contar algumas vezes uma história três personagens - um velho, uma criança e um burro - e quatro cenas.

Cena 1 - Velho montado; a criança o acompanha andando atrás do burro.
Um confinante diz: Como pode esse sibarita fazer tal coisa? O inocente sofre tendo que o acompanhar andando, enquanto ele desfruta o luxo da montaria.

Cena 2 - A criança montada, o velho seguindo o burro a pé.
Mas veja! No final da vida, com esses cambitos, sofre andando enquanto o mais jovem e citígrado vai montado!

Cena 3 - O velho e a criança montados no tetrápode.
Pobre animal! Esfalfado e carregando dois nos lombos!

Cena 4 - A figura aberrante aí a esquerda!

Muitas vezes, o melhor é não ouvir conselhos!


Confinante - Que faz fronteira, vizinho.
Sibarita - Farrista, indolente [Do latim sybarita, habitante de Síbaris, Itália, cidade conhecida por sua morosidade e luxo].
Cambito - Perna fina [Variante nordestina do italianismo 'gambito'. Gamba, do italiano, perna].
Citígrado - Que anda depressa [Latim. Citus, 'rápido', gradus, 'passo'].
Tetrápode - Que tem quatro pés [Grego. Tetra + podos]
Aberrante - Que é fora do normal [Do latim ab, 'fora de', e errare, 'andar']
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